+BIO #10 – Uma Ordem em constante Evolução (I)

Nesta edição trazemos-vos uma reflexão sobre o reconhecimento do estatuto de Bioengenheiro e a criação de novos Colégios na Ordem dos Engenheiros. Abaixo encontra-se a primeira parte do artigo sendo que poderão ler a segunda parte na revista Corino, coordenada pela AEICBAS.

 

Com o intuito de juntar o conhecimento tecnológico e as competências básicas de engenharia aos desafios e mistérios das ciências da vida, surge em 2006, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o Mestrado Integrado em Bioengenharia. Se, por si só, o nome já parece algo um tanto inovador, a própria estrutura do curso revelava-se, de facto, desafiante e um tanto atrevida. Um curso ministrado por duas Faculdades (FEUP e ICBAS), com semestres divididos em engenharia e ciências da vida e com três ramos de especialização muito específicos, mas abrangentes ao mesmo tempo: Engenharia Biológica, Engenharia Biomédica e Biotecnologia Molecular.

Qualquer estudante tem o sonho de, após o termino de cinco anos árduos de estudo, iniciar a sua vida profissional de forma plena. Contudo, coloca-se a questão: como é que isso se faz? Julgo ser do conhecimento geral que a maioria dos formados nas áreas de engenharia, para se poder apresentar como “Engenheiro”, tem de efetivamente estar inscrito na Ordem, instituição essa que é, de uma forma simples, a associação profissional que reconhece que os inscritos possuem efetivamente as apetências e os requisitos para exercer determinada atividade na área de engenharia. Acontece que, até há bem pouco tempo, a definição de Bioengenheiro andava um pouco perdida, uma vez que, efetivamente, ninguém sabia muito bem afinal quem eram estes novos profissionais (de notar que a primeira fornada de Mestres em Bioengenharia, formou-se há apenas seis anos). Dez anos após a criação do curso, a sociedade começa agora a preparar-se para acolher estes profissionais, que, de certa forma, fazem a ponte entre a engenharia e as áreas da saúde, biotecnologia molecular e a indústria baseada em processos biológicos.

Desde dezembro de 2015 que para exercer a profissão de engenheiro, o profissional da área tem de estar obrigatoriamente inscrito na Ordem dos Engenheiros, por lei. Boas notícias, para nós, Bioengenheiros, já que também somos abrangidos por esta Lei, ou seja, a Ordem já reconhece o estatuto de Bioengenheiro e já nos integra num determinado Colégio, conforme o tipo de atividade que iremos exercer. Para os estudantes de Engenharia Biológica, a vida está um pouco mais facilitada: serão Bioengenheiros pertencentes ao Colégio de Engenharia Química e Biológica. Quanto aos profissionais de Biomédica e de Biotecnologia Molecular, o futuro ainda está um pouco incerto. A verdade é que a criação de novos Colégios na Ordem é urgente e vai de encontro ao que o atual Bastonário, Carlos Mineiros Aires, idealiza.