+ BIO #14 – Realidade Aumentada vs Realidade Virtual na Saúde

Quais as diferenças entre Realidade Aumentada e Realidade Virtual?

A realidade virtual (RV) e a realidade aumentada (RA) são duas tecnologias que têm crescido exponencialmente, adquirindo, cada vez mais, usuários e produtos inovadores a entrar no mercado.

A realidade aumentada é capaz de projetar em tempo real informação digital, tal como vídeos e modelos 3D, através de smartphones, tablets, computadores, ou através de tecnologia móvel inserida em diferentes acessórios, como óculos ou relógios. Ao passo que, a realidade virtual é uma simulação artificial que permite recriar ambientes ou situações da vida real, ou seja, submete o usuário a uma experiência na primeira pessoa, através de estimulações auditivas e visuais do dispositivo utilizado.

Apesar dos diferentes propósitos destas tecnologias, ambas têm a capacidade de inovar o sector da saúde, desde o fornecimento de dados em tempo real e assistência durante procedimentos cirúrgicos de alto risco, até novas terapias para indivíduos que sofrem de distúrbios de ansiedade e stress.

Como pode a Realidade Aumentada beneficiar os pacientes?

Em primeiro lugar, a realidade aumentada consegue melhorar de forma significante a qualidade de tratamento recebida. Por exemplo, durante cirurgias de invasão mínima, são necessários vários monitores de maneira a exibir sinais vitais ou imagens fornecidas por aparelhos médicos. Com a tecnologia da RA, o cirurgião pode utilizar smartglasses durante o procedimento e, receber a partir destes, a informação exibida nos monitores perante os seus olhos, aumentando a concentração do cirurgião no procedimento e minimizando a necessidade de realizar tarefas múltiplas.

Em segundo lugar, permite uma eficaz educação do paciente sobre o tratamento e prevenção da doença em causa. Existem aplicações de RA que permitem ilustrar o impacto e patologia de determinadas doenças, educando não só os pacientes, mas também os membros familiares, conseguindo fornecer o seu contributo para o bem-estar do paciente. Esta tecnologia também é útil no pós-tratamento: aplicações de RA, instaladas em smartglasses, conseguem atuar como assistentes de saúde digitais, relembrando o paciente para tomar os medicamentos em certas horas e encorajá-los a seguir o plano de tratamentos, assim como a levar uma alimentação mais cuidada e a prática mais frequente de exercício físico.

Para além da educação e acompanhamento do paciente, a RA providencia uma vida mais independente. Certas start-ups, como a Aira, desenvolveram um sistema baseado em RA que, utilizando um par de smartglasses ou a câmara de um telemóvel, permite a descrição do ambiente, o reconhecimento de caras, a leitura de texto e notificação de futuros obstáculos, para indivíduos com incapacidades visuais.

E os médicos?

A realidade aumentada aplica-se quer aos estudantes, quer aos praticantes de medicina. No aspeto da educação, a RA disponibiliza aos estudantes outras formas mais interativas de estudo, desde modelos anatómicos em três dimensões que oferecem uma imagem mais detalhada do que uma simples fotografia e uma maior compreensão do modelo, até seguir uma cirurgia pelos olhos de um cirurgião experiente através de um dispositivo móvel que, para além de ser financeiramente mais acessível que simuladores médicos, consegue abranger um número mais elevado de utilizadores. Por exemplo, a Case Western Reserve University juntamente com a Cleveland Clinic, criaram uma parceria com a Microsoft e lançaram uma HoloLens app denominada HoloAnatomy, que permite visualizar o corpo humano a partir de hologramas. Os usuários conseguem observar desde músculos e ossos até pequenos capilares, interagindo com estes modelos 3D e aumentando a sua compreensão da anatomia do ser humano.

Esta aplicação não só é benéfica para os estudantes, como também para os médicos que podem utiliza-la para um diagnóstico de doenças mais eficaz, sobrepondo, por exemplo, CT scans com o corpo digital.

A RA pode ser utilizada quer em cirurgias invasão mínima, como referido anteriormente, quer em cirurgias de maior complexidade. Nestas cirurgias, a realidade aumentada permite o acesso mais rápido e facilitado de informação, sem o desvio da atenção do operador, como o histórico de alergias do paciente ou a documentos médicos cruciais para a operação. Outra utilidade é o aumento do campo de visão do cirurgião com, por exemplo, versões 3D de órgãos vitais para o conduzir durante a operação.

O diagnóstico, deteção e monotorização de patologias também se torna mais facilitado. A empresa Medsights Tech construiu um software que permite a reconstrução 3D de tumores. Esta reconstrução substitui a necessidade de um raio-x, ou seja, não sujeita o paciente a radiação exposta.

Como é que a Realidade Virtual é útil para a Saúde?

A RV na medicina é uma área repleta de possibilidades, sendo utilizada não só pelos praticantes de medicina, mas como pelos estudantes e os próprios pacientes.

Ser estudante ou praticante de medicina requer um nível de conhecimento muito elevado, assim como uma constante preparação e prática. Através da realidade virtual, é agora possível preparar e praticar cirurgias virtualmente. A empresa ImmersiveTouch oferece uma plataforma de RV, que permite aos cirurgiões e estudantes ver, sentir e experienciar uma cirurgia de invasão mínima, aonde o usuário pode aperfeiçoar a sua precisão cirúrgica e melhorar o resultado do paciente.

De modo a obter uma aprendizagem mais dinâmica e intuitiva, a RV oferece uma vasta quantidade de aplicações de ensino. Por exemplo, a empresa zSpace criou uma plataforma virtual que permite o acesso a um atlas anatómico com mais de 4,600 estruturas, incluindo os principais órgãos e sistemas do corpo masculino e feminino. Esta aplicação permite a melhor visualização e compreensão das estruturas anatómicas, uma vez que é possível interagir com estas e observa-las de vários ângulos e dimensões.

Para os pacientes, a realidade virtual é dirigida para várias terapias, que ajudam a controlar transtornos de ansiedade, transtornos de stress pós-traumático (PTSD) e fobias. Nestas terapias, os pacientes são expostos a ambientes virtuais que receiam e são forçados a enfrentar os seus medos com o constante controlo médico. Nestes tratamentos, são monitorizados os estímulos emocionais e a intensidade das respostas psicológicas dos pacientes através de imagens cerebrais e técnicas psicofisiológicas.

Em vez do uso de narcóticos, a realidade virtual pode ser uma solução para o tratamento da dor crónica. A RV reduz o tempo que o paciente pensa na dor e o seu efeito não desvanece com o passar do tempo. Ao contrário dos narcóticos, é oferecida ao paciente uma experiência divertida que, para além de melhorar o seu estado de espirito, ajuda na sua recuperação.

Indivíduos que sofrem de paralisia ou incapacidade motora, através da realidade virtual, conseguem usufruir de uma experiência única, e experienciar uma realidade onde é possível moverem-se e realizar diversas aventuras. A empresa VirZOOM oferece jogos de RV criados para uma movimentação ativa e controlada, aonde os usuários podem experienciar conduzir diversos meios de transporte por diferentes paisagens e caminhos. O utilizador também tem a possibilidade de jogar em comunidade, fornecendo um ambiente competitivo e cooperativo, aumentando capacidades sociais.

 

Referências:

http://medicalfuturist.com/top-vr-companies-healthcare/

https://appreal-vr.com/blog/augmented-reality-for-healthcare/

http://medicalfuturist.com/top-9-augmented-reality-companies-healthcare/

http://www.augment.com/blog/virtual-reality-vs-augmented-reality/