+BIO #2 – Impressora 3D Sintetiza Tecidos e Órgãos Humanos

O Instituto Wake Forest de Medicina Regenerativa, integrado na escola de medicina Wake Forest, na Carolina do Norte (USA), descreveu uma forma inovadora de produzir tecidos humanos e estruturas musculares e ósseas íntegras num artigo publicado na Nature Biotechnology. Para tal, usou células vivas que pertencem a humanos, coelhos e ratos. As células conseguiram sobreviver ao processo de impressão, revelando ser suficientemente estáveis para serem implantadas com sucesso em cobaias.
A produção de órgãos e tecidos com recurso a tecnologias de impressão 3D não é uma novidade, no entanto tentativas prévias não tiveram o sucesso desejado. Estes tecidos inicialmente produzidos eram demasiado instáveis, simples e pequenos para serem introduzidos em humanos.
“You can actually make functional, vascularized tissues in large enough structures that can be used for clinical applications”, diz Ali Khademhosseini, engenheiro biomédico na Universidade de Harvard. A impressora 3D sintetiza estas estruturas através da deposição alternada de camadas celulares e materiais biodegradáveis.
A impressora adiciona ainda uma cápsula exterior constituída por um polímero temporário que auxilia a estabilidade da estrutura durante todo o processo de síntese. O processo de impressão foi desenhado tendo ainda em consideração que as células devem permanecer vivas até à cirurgia, sendo que após a implantação os materiais biodegradáveis iniciam um processo de degradação e as células começam a formar uma matriz de suporte que permite a manutenção e viabilidade do tecido.
O estudo foi financiado pelo exército dos Estados Unidos da América com o objetivo de usar estas estruturas em soldados lesados. É possível que dentro de um curto período de tempo seja possível não só testar drogas nestes tecidos, mas também a sua implantação em humanos, podendo estes substituir os que se encontram danificados ou ausentes. Após o grande avanço conseguido por Harold Gillies – ‘father of plastic surgery’ – durante a primeira grande guerra, estaremos perto de uma nova fronteira?