{"id":177,"date":"2016-02-01T21:32:45","date_gmt":"2016-02-01T21:32:45","guid":{"rendered":"http:\/\/nebfeupicbas.pt\/?p=177"},"modified":"2017-12-03T01:59:09","modified_gmt":"2017-12-03T01:59:09","slug":"bio-1-entrevista-ao-pedro-lopes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/?p=177","title":{"rendered":"+BIO #1 &#8211; Entrevista ao Pedro Lopes"},"content":{"rendered":"<p class=\"font_8\"><span class=\"color_14\">Este m\u00eas entrevistamos o Pedro Lopes, estudante do 5\u00ba ano do Mestrado Integrado em Bioengenharia. Perto do Grande audit\u00f3rio da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, numa conversa informal, tent\u00e1mos perceber melhor qual o projeto desenvolvido por ele em Erasmus e como foi estudar fora de Portugal. Aqui fica o registo da sua experi\u00eancia que espera vir a inspirar outros estudantes e esclarecer ainda algumas d\u00favidas relativas \u00e0 experi\u00eancia Erasmus.<\/span><\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"color_14\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"color_14\"><strong>NEB\u00a0<\/strong>&#8211; O que te levou a fazer Erasmus?<\/span><\/p>\n<p><strong>Pedro Lopes<\/strong>\u00a0&#8211; Desde que entrei no curso que queria fazer Erasmus&#8230; \u00c9 uma oportunidade para aprender coisas novas e ver na pr\u00e1tica o que passas tantos anos a estudar.<br \/>\nUma coisa que eu senti quando cheguei c\u00e1 [Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto] foi que parecia que estava a aprender muita coisa, de muitas \u00e1reas, mas que n\u00e3o sabia nada em espec\u00edfico.\u00a0Pensava que n\u00e3o conseguiria ter impacto em lado nenhum. No entanto, ao longo dos anos fui percebendo que esse n\u00e3o \u00e9 o caso e que conseguia estar ao mesmo n\u00edvel de outros estudantes que tinham uma forma\u00e7\u00e3o diferente da minha, talvez mais espec\u00edfica.<\/p>\n<p><strong>NEB\u00a0<\/strong>&#8211; Como foi estar num pa\u00eds estrangeiro a estudar?<\/p>\n<p><strong>PL<\/strong>\u00a0&#8211; Estive no Reino Unido, na Universidade de Sheffield num laborat\u00f3rio chamado CISTIB (Center for Computional Imaging &amp; Simulation Technologies in Biomedicine) que \u00e9 o laborat\u00f3rio central do projeto em que participei. Aprendi muito, n\u00e3o s\u00f3 a desenrascar-me mas em muitos outros aspetos. Tive a responsabilidade de trabalhar num projeto a s\u00e9rio e de o fazer andar para a frente. Participei no desenho do protocolo, das ferramentas necess\u00e1rias para realizar o estudo, e tratei da parte burocr\u00e1tica e \u00e9tica para este (o protocolo) fosse aceite.\u00a0Ter este tipo de experi\u00eancia \u00e9 algo que tu levas para a frente e que te ajuda sempre a evoluir. Por exemplo, aprendi como os este tipo de estudos e clinical trials funcionam apesar de, para meu pesar, ter vindo embora pouco antes dos testes come\u00e7arem.<\/p>\n<p><strong>NEB<\/strong> &#8211; Tinhas j\u00e1 uma ideia predefinida da \u00e1rea em que gostarias de trabalhar durante\u00a0 este per\u00edodo ou isso n\u00e3o foi priorit\u00e1rio?\u00a0 Em que consistia o teu projeto?<\/p>\n<p><strong>PL<\/strong>\u00a0&#8211; A \u00e1rea em que trabalhei n\u00e3o era exatamente o que na altura seria a minha principal \u201cpaix\u00e3o\u201d. O que mais gosto \u00e9 eletr\u00f3nica e programa\u00e7\u00e3o e, embora tenha trabalhado tamb\u00e9m nessas \u00e1reas durante o meu per\u00edodo l\u00e1 (criando as ferramentas, tratando dos sensores, etc..), o que fui fazer acabou por ser mais virado para a biomec\u00e2nica. Essa \u00e1rea j\u00e1 despertava o meu interesse (e o tema que se estava a estudar), mas durante o meu tempo l\u00e1 que acabei por gostar ainda mais e acabar por estar agora a fazer a minha tese nessa \u00e1rea. O trabalho que realizei debru\u00e7a-se sobre o modo como os pacientes de Alzheimer andam.\u00a0Existem estudos que relatam que estes pacientes t\u00eam altera\u00e7\u00f5es na maneira como andam, mesmo numa fase precoce da doen\u00e7a. Assim, pretendia-se analisar o modo como doentes com Alzheimer andam, comparando-os com indiv\u00edduos saud\u00e1veis, e ainda os que se encontram numa fase interm\u00e9dia, aquela que \u00e9 de maior interesse estudar. Atrav\u00e9s destes estudos, o objetivo seria encontrar padr\u00f5es e caracter\u00edsticas na passada que se demonstrassem caracter\u00edsticos da doen\u00e7a e da sua fase.\u00a0Se queremos interferir na doen\u00e7a de Alzheimer e abrandar o seu avan\u00e7o temos de tentar atuar o mais cedo poss\u00edvel, e \u00e9 com estudos como estes que poderemos realizar um diagn\u00f3stico cada vez mais precoce de maneira a melhorar a vida destas pessoas.<\/p>\n<p><strong>NEB<\/strong>\u00a0&#8211; Sabemos que o projeto em que participaste se insere num de maiores dimens\u00f5es, o\u00a0VPH-DARE@IT\u00a0(Virtual Physiological Human: DementiA Research Enabled by IT)- qual o objetivo deste?<\/p>\n<p><strong>PL<\/strong>\u00a0&#8211; O\u00a0VPH-DARE@IT\u00a0desenvolve-se com base no estudo da dem\u00eancia e de formas de melhorar a cl\u00ednica e o m\u00e9todo de diagn\u00f3stico nesta \u00e1rea, contando com o apoio de especialistas tanto da \u00e1rea cl\u00ednica, como tecnol\u00f3gica ou mesmo da ind\u00fastria. O meu estudo esteve mais relacionado com o dia a dia da pessoa, mas o projeto em si \u00e9 muito mais extenso. Todo o projeto \u00e9 realizado usando IT (Information Tecnologies), atrav\u00e9s da recolha de dados do dia-a-dia e imagens m\u00e9dicas, conjugadas com an\u00e1lises estat\u00edsticas e m\u00e9todos de processamento de informa\u00e7\u00e3o de modo a que, utilizando tudo o que a tecnologia nos permite possamos melhorar esta \u00e1rea. Usando todos estes dados e t\u00e9cnicas procuramos depois os pontos comuns nos v\u00e1rios pacientes diagnosticados com dem\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>NEB<\/strong>\u00a0&#8211; O que \u00e9 a Kinematix e de que forma este se inseriu no estudo que desenvolveste em Erasmus?<\/p>\n<p><strong>PL<\/strong>\u00a0&#8211; A Kinematix \u00e9 uma start up que come\u00e7ou no INESC TEC\u00a0 (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ci\u00eancia) e foca-se no estudo dos movimentos do corpo humano, desenvolvendo produtos com base na biomec\u00e2nica. Come\u00e7aram a estudar a passada e o caminhar e neste momento est\u00e3o a desenvolver um novo produto para atletas. Eu usei o WALKinSENSE, que consiste num pequeno sensor que se coloca no sapato e numa palmilha especializada para monitorizar o andamento da pessoa. A Kinematix \u00e9 um dos parceiros deste projeto em que me inseri e no qual ingressei devido a um convite do professor Miguel Velhote.<\/p>\n<p><strong>NEB\u00a0<\/strong>&#8211; Na tua opini\u00e3o, que impactos poder\u00e3o advir deste projeto? Que mudan\u00e7as gostarias de ver nos m\u00e9todos de diagn\u00f3stico para a dem\u00eancia?<\/p>\n<p><strong>PL\u00a0<\/strong>&#8211; O impacto deste projeto pode ser visto de diversos modos, mas espera-se que o impacto se reflita em aplica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas. Tenta-se transferir todo o conhecimento obtido durante este projeto para a pr\u00e1tica, tentando influenciar a forma como estes diagn\u00f3sticos poder\u00e3o ser feitos no futuro.O que gostaria era que esses diagn\u00f3sticos pudessem ser feitos cada vez mais cedo, e feitos com certezas, visto que apesar de existirem sintomas tipo na doen\u00e7a existem casos que fogem \u00e0 regra e o importante seria consegui-los apanhar. Este projeto poder\u00e1 ser um passo nesse sentido.<\/p>\n<p><strong>NEB<\/strong>\u00a0&#8211; No geral, como foi estar no Centro de Congressos de Lisboa a apresentares o teu projeto?<\/p>\n<p><strong>PL<\/strong>\u00a0&#8211; Realmente percebes que o que fizeste tem valor&#8230;\u00a0Estares a dedicar-te tanto tempo a um trabalho, um projeto, pode ser chato por vezes, mas a quest\u00e3o \u00e9 que chegas l\u00e1 e encontras pessoas da \u00e1rea que est\u00e3o a fazer coisas parecidas e genuinamente interessadas naquilo que est\u00e1s a fazer, criam-se sinergias. Ouve-se muito um \u201ceu provavelmente podia ajudar-vos\u201d ou um \u201cvoc\u00eas podiam ajudar-me\u201d nisto ou naquilo. \u00c9 nestas confer\u00eancias que acabas por fazer networking, por conhecer as pessoas que j\u00e1 est\u00e3o a fazer o que tamb\u00e9m queres fazer, o que \u00e9 muito importante porque conheces pessoas que j\u00e1 passaram pelos teus problemas e transmitem o seu know-how. Conheces sempre algu\u00e9m com quem possas trabalhar e transmitem-se ideias, conhecimentos. Fazes todos esses contactos que um dia mais tarde podes precisar&#8230; Eu passei l\u00e1 tr\u00eas dias, o projeto tinha um stand na confer\u00eancia e as pessoas interessadas vinham falar connosco e n\u00f3s explic\u00e1vamos o projeto. Al\u00e9m disto o ICT (Innovate Connect Transform) \u00e9 a maior confer\u00eancia a n\u00edvel europeu de IT e ainda por cima sendo este ano em Lisboa foi uma grande oportunidade. Notas tamb\u00e9m que a \u00e1rea da sa\u00fade est\u00e1 em crescimento, v\u00eas o que est\u00e1 a ser feito c\u00e1 (em Portugal) e l\u00e1 fora e sabes quais s\u00e3o as mais valias e, quem sabe, \u00e1reas que te possam interessar no futuro. \u00c9 importante conhecer e dares-te a conhecer e aconselho a qualquer pessoa que tiver oportunidade de ir a qualquer confer\u00eancia a n\u00e3o hesitar, mesmo que a mat\u00e9ria em causa n\u00e3o seja assim t\u00e3o acess\u00edvel \u00e0 compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>No fim da conversa perguntamos ainda ao Pedro o que foi mais importante ou inesquec\u00edvel nesta experi\u00eancia e quais as suas perspetivas futuras. Diminuindo o tom s\u00e9rio face a esta pergunta e entre risos, piadas e hist\u00f3rias da faculdade, percebemos que o mais importante no curso e numa carreira futura ser\u00e1 mesmo o gosto que desenvolvemos por algum assunto ou tema e a dedica\u00e7\u00e3o que lhe damos. \u201cEscolhe um problema que n\u00e3o te deixe nunca cansado e que n\u00e3o te fa\u00e7a perder o entusiasmo, mesmo nos momentos mais dif\u00edceis (\u2026)\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este m\u00eas entrevistamos o Pedro Lopes, estudante do 5\u00ba ano do Mestrado Integrado em Bioengenharia. Perto do Grande audit\u00f3rio da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, numa conversa informal, tent\u00e1mos perceber melhor qual o projeto desenvolvido por ele em Erasmus e como foi estudar fora de Portugal. 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