{"id":2748,"date":"2023-01-07T21:00:27","date_gmt":"2023-01-07T21:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/?p=2748"},"modified":"2023-01-07T21:01:18","modified_gmt":"2023-01-07T21:01:18","slug":"bionow-59-biomateriais-regenerativos-a-importancia-da-imunomodulacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/?p=2748","title":{"rendered":"BioNOW! #59 &#8211; Biomateriais regenerativos: a import\u00e2ncia da imunomodula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2748\" class=\"elementor elementor-2748\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6339162d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6339162d\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-6aa78706\" data-id=\"6aa78706\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-741b7d5 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"741b7d5\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">BioNOW! #59 - Biomateriais regenerativos: a import\u00e2ncia da imunomodula\u00e7\u00e3o<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-8ee8570 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"8ee8570\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-f50abbd\" data-id=\"f50abbd\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-00b4f63 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"00b4f63\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Quando se implanta um biomaterial h\u00e1, independentemente da circunst\u00e2ncia, uma resposta imunit\u00e1ria. Esta passa, inicialmente, pela resposta aguda, mediada por neutr\u00f3filos, c\u00e9lulas do sistema inato altamente inflamat\u00f3rias que produzem esp\u00e9cies reativas de oxig\u00e9nio e enzimas, com o objetivo de estimular a elimina\u00e7\u00e3o do corpo estranho. Desencadeia, adicionalmente, o recrutamento de outras c\u00e9lulas imunes, respons\u00e1veis pela fase de infe\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica, nomeadamente os macr\u00f3fagos. Existem 2 tipos particulares de macr\u00f3fagos, M1 e M2, interconvers\u00edveis, e cuja distribui\u00e7\u00e3o est\u00e1 intrinsecamente ligada com o ambiente, nomeadamente o seu padr\u00e3o de citocinas. Estes macr\u00f3fagos v\u00e3o ser os reguladores do tipo de resposta imune e, como tal, respons\u00e1veis pela forma como o organismo reage ao biomaterial. Assim sendo, neste artigo, investigou-se os 2 tipos de inflama\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Mas mais do que um estudo fundamental do sistema imunit\u00e1rio, h\u00e1 um interesse pelas propriedades regenerativas do biomaterial. Ao contr\u00e1rio do que se acreditava inicialmente, nem todos os biomateriais t\u00eam de ser inertes para a sua implanta\u00e7\u00e3o ser bem sucedida. A explora\u00e7\u00e3o dos biomateriais bioativos, ou seja, que se prop\u00f5em a influenciar e modular a resposta do corpo humano, \u00e9 de elevado interesse. Uma das aplicabilidades deste tipo de abordagem \u00e9 na engenharia regenerativa e, para compreender esta \u00e1rea, \u00e9 necess\u00e1rio perceber o processo de regenera\u00e7\u00e3o tecidual e os fatores que o influenciam.<\/p><p>Antes de pensarmos na regenera\u00e7\u00e3o de um tecido, \u00e9 necess\u00e1rio come\u00e7ar no n\u00edvel inferior: as c\u00e9lulas. Sem elas, n\u00e3o h\u00e1 forma de reparar ou substituir o tecido e, como tal h\u00e1 uma necessidade de gerar as c\u00e9lulas a si correspondentes, atrav\u00e9s de precursores estaminais. Numa fase inicial, houve um investimento no estudo da implanta\u00e7\u00e3o de matrizes com estes precursores; contudo, este tipo de procedimento acarreta uma dificuldade \u2013 para diferenciar uma c\u00e9lulas indiferenciada \u00e0 c\u00e9lulas espec\u00edfica do tecido desejado, \u00e9 necess\u00e1rio uma padr\u00e3o molecular, o qual n\u00e3o poder\u00e1 ser induzido \u00e0 partida pela simples implanta\u00e7\u00e3o do biomaterial. Este artigo \u00e9 marcado por uma abordagem distinta \u2013 os biomateriais descelularizados mas que s\u00e3o, contudo, capazes de recrutar c\u00e9lulas estaminais do pr\u00f3prio paciente, ao mesmo tempo que desencadeiam a resposta mais apraz\u00edvel para o processo regenerativo. O objetivo \u00e9 ent\u00e3o que a implanta\u00e7\u00e3o do mesmo possa estimular a regenera\u00e7\u00e3o do tecido period\u00f4ntico, que se distingue ainda pelo seu car\u00e1ter multi-tecidual \u00f3sseo e ligamentar.<\/p><p>E qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o processo inflamat\u00f3rio e este processo de homing e consequente regenera\u00e7\u00e3o tecidual? \u00c9 exatamente isso que este artigo procura explorar.<\/p><p>Quando o nosso corpo \u00e9 submetido a agress\u00f5es externas, como o implante de um biomaterial ou a infe\u00e7\u00e3o por um agente patog\u00e9nico, o sistema imunit\u00e1rio \u00e9 desencadeado e pode provocar diferentes rea\u00e7\u00f5es inflamat\u00f3rias, conforme o tipo de amea\u00e7a de que se trata. H\u00e1 que ter em conta, contudo, que as diferentes rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o mediadas por diversos tipos de padr\u00f5es moleculares, decorrente da natureza do pr\u00f3prio agente infecioso. Deste modo, torna-se poss\u00edvel regular este processo extrinsecamente atrav\u00e9s do controlo das mol\u00e9culas envolvidas. Foi exatamente esta particularidade que os autores do artigo aproveitaram para, atrav\u00e9s do material implantado, regular o tipo de resposta inflamat\u00f3ria. Assim sendo, desenvolveram 2 modelos de hidroxiapatite, com padr\u00f5es de citocinas diferentes que desencadearam resultando ent\u00e3o em rea\u00e7\u00f5es imunes diferentes.<\/p><p>O 1\u00ba modelo baseou-se no acoplamento de LPS, associado a um processo pr\u00f3-inflamat\u00f3rio. O LPS \u00e9, como se sabe, um constituinte da parede celular das bact\u00e9rias Gram-negativas e \u00e9 um conhecido PAMP \u2013 <em>pathogen-associated molecular pattern<\/em>. Este tipo de mol\u00e9cula tem a capacidade de desencadear, nas c\u00e9lulas imunit\u00e1rias, a produ\u00e7\u00e3o de perfis de citocinas altamente inflamat\u00f3rias. Por oposi\u00e7\u00e3o, no 2\u00ba modelo recorreu-se a IL-4, uma citocina por si s\u00f3 anti-inflamat\u00f3ria e, como tal, desencadeando um processo imunol\u00f3gico oposto ao anterior.<\/p><p>Foi, ent\u00e3o, desenvolvido um biomaterial \u00e0 base de hidroxapatite, com part\u00edculas pequenas o suficiente para n\u00e3o causarem rea\u00e7\u00e3o de corpo estranho. De modo a permitir a adsor\u00e7\u00e3o das mol\u00e9culas estudadas, fez-se uma pr\u00e9-funcionaliza\u00e7\u00e3o do composto com polidopamina, enriquecendo-o assim em grupos funcionais reativos, apelativos para o posterior acoplamento dos compostos reguladores dos processos imunopatofisiol\u00f3gicos.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7b80fed elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7b80fed\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"503\" height=\"520\" src=\"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Imagem3.png\" class=\"attachment-full size-full wp-image-2750\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Imagem3.png 503w, https:\/\/nebfeupicbas.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Imagem3-290x300.png 290w\" sizes=\"(max-width: 503px) 100vw, 503px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3263789 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3263789\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><em>Figura 1 \u2013 Representa\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica dos processos imunopatofisiol\u00f3gicos associados a cada material imunomodulat\u00f3rio<span>.<\/span><\/em><\/p><p><em><span>\u00a0<\/span><\/em><\/p><p><em> <\/em><\/p><p><em><\/em><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-57e8e48 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"57e8e48\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Verificou-se, como est\u00e1 representado na Figura 1, e tal como foi previsto, diferentes resultados de acordo com a natureza imunomodulat\u00f3ria dos biomateriais implantados. Apesar de, em ambos os casos, se identificar a tentativa do organismo em regenerar o tecido lesado, esta foi muito mais eficaz em condi\u00e7\u00f5es anti-inflamat\u00f3rias associadas \u00e0 IL-4. Este resultado decorre do facto de que, no ambiente pr\u00f3-infamat\u00f3rio, \u00e9 desencadeado um conjunto de rea\u00e7\u00f5es imunes que atrasam e dificultam o processo. Destaca-se, particularmente, o in\u00edcio do processo fibr\u00f3tico, caracterizado pela deposi\u00e7\u00e3o de fibrinog\u00e9nio, formando uma camada entre e les\u00e3o e o restante organismo. O objetivo deste processo \u00e9 exatamente isolar o \u201cproblema\u201d, para evitar que se torne sist\u00e9mico, mas acarreta a consequ\u00eancia de interromper o processo inflamat\u00f3rio e prevenir a migra\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas estaminas, retardando assim a regenera\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-66295fc elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"66295fc\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><span>Assim sendo, o artigo permitiu concluir que a utiliza\u00e7\u00e3o de materiais imobilizados com IL-4 pode ser interessante para aplica\u00e7\u00f5es em engenharia regenerativa.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5fc3612 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5fc3612\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Sabe mais em:<br \/><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2590006422002307\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2590006422002307<\/a><br \/><br \/><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se implanta um biomaterial h\u00e1, independentemente da circunst\u00e2ncia, uma resposta imunit\u00e1ria. Esta passa, inicialmente, pela resposta aguda, mediada por neutr\u00f3filos, c\u00e9lulas do sistema inato altamente inflamat\u00f3rias que produzem esp\u00e9cies reativas de oxig\u00e9nio e enzimas, com o objetivo de estimular a elimina\u00e7\u00e3o do corpo estranho. Desencadeia, adicionalmente, o recrutamento de outras c\u00e9lulas imunes, respons\u00e1veis pela fase de infe\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica, nomeadamente os macr\u00f3fagos. Existem 2 tipos particulares de macr\u00f3fagos, M1 e M2, interconvers\u00edveis, e cuja distribui\u00e7\u00e3o est\u00e1 intrinsecamente ligada com o ambiente, nomeadamente o seu padr\u00e3o de citocinas. Estes macr\u00f3fagos v\u00e3o ser os reguladores do tipo de resposta imune e, como tal, respons\u00e1veis pela forma como o organismo reage ao biomaterial. 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