{"id":412,"date":"2017-10-23T20:10:39","date_gmt":"2017-10-23T20:10:39","guid":{"rendered":"http:\/\/nebfeupicbas.pt\/?p=412"},"modified":"2017-12-03T01:56:28","modified_gmt":"2017-12-03T01:56:28","slug":"bio-13-entrevista-ao-prof-aurelio-campilho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/?p=412","title":{"rendered":"+ BIO #13 &#8211; Entrevista ao Prof. Aur\u00e9lio Campilho"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Prof. Aur\u00e9lio Campilho:<\/strong> O meu nome \u00e9 Aur\u00e9lio Campilho, sou Professor Catedr\u00e1tico na FEUP \u2013 Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, no Departamento de Engenharia Eletrot\u00e9cnica e de Computadores, e colaboro na coordena\u00e7\u00e3o do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Engenharia Biom\u00e9dica (C-BER &#8211; Centre for Biomedical Engineering Research &#8211; do INESC TEC). Sou respons\u00e1vel das Unidades Curriculares An\u00e1lise de Imagem Biom\u00e9dica, Diagn\u00f3stico Assistido por Computador e de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Programa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica.<\/p>\n<p><strong>NEB. Fale-nos um pouco do seu percurso acad\u00e9mico<\/strong><\/p>\n<p><strong>AC.<\/strong> Licenciei-me em Engenharia Eletrot\u00e9cnica e de Computadores, na altura designada Engenharia Eletrot\u00e9cnica, doutorei-me tamb\u00e9m em Engenharia Eletrot\u00e9cnica e de Computadores. Mais tarde apareceu o desafio da Engenharia Biom\u00e9dica.<\/p>\n<p><strong>NEB. Como \u00e9 que surgiu o seu interesse por Imagiologia M\u00e9dica\/Engenharia Biom\u00e9dica?<\/strong><\/p>\n<p>Durante o doutoramento desenvolvi investiga\u00e7\u00e3o em Processamento de Imagem e Reconhecimento de Padr\u00f5es, com aplica\u00e7\u00e3o no controlo de qualidade de imagens de produtos naturais, naquele caso a corti\u00e7a. Nessa tese de doutoramento havia v\u00e1rios desafios, na altura eram bastante atuais, que atualmente enquadraria no \u00e2mbito da aprendizagem computacional (Machine Learning). Durante o doutoramento, desenvolvi metodologias de processamento e an\u00e1lise de imagem, e em particular foi constru\u00eddo um sistema de aquisi\u00e7\u00e3o em tempo real de imagem digital, para ir de encontro a requisitos das aplica\u00e7\u00f5es industriais. O passo para a imagem m\u00e9dica foi natural. Havia experi\u00eancia em Reconhecimento de Padr\u00f5es, havia experi\u00eancia em Processamento de Imagem, e apareceu o desafio de aplicar essas metodologias na \u00e1rea da oftalmologia. Come\u00e7\u00e1mos nessa altura, um projeto de an\u00e1lise de imagem de oftalmologia, que deu origem a um douramento.<br \/>\nO embri\u00e3o das aplica\u00e7\u00f5es da engenharia biom\u00e9dica come\u00e7ou a nascer \u00e0 volta dos colegas de instrumenta\u00e7\u00e3o biom\u00e9dica. Lembro-me nos primeiros anos, ainda como assistente, criamos uma disciplina de instrumenta\u00e7\u00e3o biom\u00e9dica. No Departamento de Engenharia Eletrot\u00e9cnica havia investiga\u00e7\u00e3o em processamento de sinais eletrocardiogr\u00e1ficos, e em outros departamentos havia atividade de investiga\u00e7\u00e3o muito relevante em biomateriais. Daqui resultou o come\u00e7ar a criar um ambiente de investiga\u00e7\u00e3o em engenharia biom\u00e9dica. Naturalmente que me associei a esse ambiente.<\/p>\n<p><strong>NEB: Qual o projeto que mais o marcou\/entusiasmou at\u00e9 \u00e0 data?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AC: <\/strong>Sem d\u00favida que foram os m\u00faltiplos projetos na \u00e1rea da oftalmologia. Foi desenvolvido um sistema de arquivo, processamento e an\u00e1lise de imagens de oftalmologia, em particular da retina, com m\u00faltiplas val\u00eancias, nomeadamente de compress\u00e3o de imagem, de dete\u00e7\u00e3o de vasos sangu\u00edneos e de alinhamento de imagem, que demonstraram imensa potencialidade de aplica\u00e7\u00e3o. Esta atividade na \u00e1rea de oftalmologia, continuou at\u00e9 agora com maiores ou menores interrup\u00e7\u00f5es, e atualmente participamos num projeto em que pretendemos incorporar todo o conhecimento j\u00e1 existente ao rastreio da retinopatia diab\u00e9tica. \u00c9 um projeto liderado pelo INESC TEC em parceria com Carnegie Mellon University, EUA. Conta com a colabora\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o Regional de Sa\u00fade da Regi\u00e3o Norte (ARSN), do Centro Hospitalar de S. Jo\u00e3o, da Universidade de Aveiro e das empresas BMD e First Solutions. Um dos objetivos deste projeto \u00e9 separar automaticamente as imagens que t\u00eam retinopatia diab\u00e9tica das imagens que n\u00e3o t\u00eam. Estat\u00edsticas da ARSN dizem que cerca de 75% das imagens que os oftalmologistas observam neste processo de rastreio, n\u00e3o t\u00eam patologia. Tendo isto em considera\u00e7\u00e3o e para aliviar o esfor\u00e7o do m\u00e9dico e concentr\u00e1-lo apenas no diagn\u00f3stico mais detalhado das imagens com patologia, estamos a desenvolver com sucesso abordagens que automaticamente indicam se h\u00e1 ou n\u00e3o sinais de retinopatia diab\u00e9tica nas imagens analisadas pelo computador.<\/p>\n<p><strong>NEB. Que grandes diferen\u00e7as existem na Imagiologia recente comparada com a imagiologia mais antiga? Que influ\u00eancia tiveram as t\u00e9cnicas de Machine Learning?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AC: <\/strong>H\u00e1 cerca de 20 anos era vulgar ver um cirurgi\u00e3o fazer cirurgia para localizar a les\u00e3o e avaliar a sua gravidade. Nos dias de hoje disp\u00f5e-se da possibilidade de fazer essa observa\u00e7\u00e3o com grande detalhe, por t\u00e9cnicas n\u00e3o invasivas que permitem um diagn\u00f3stico mais r\u00e1pido, com vantagens evidentes para o paciente.<br \/>\nAtualmente estamos a observar uma explos\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o de metodologias da intelig\u00eancia artificial em medicina, que alguns designam por intelig\u00eancia aumentada, por permitir ampliar a capacidade de diagn\u00f3stico m\u00e9dico como sistemas de 2\u00aa opini\u00e3o. A aprendizagem por computador, a Machine Learning, est\u00e1 a desempenhar um papel muito relevante em Medicina, atrav\u00e9s de solu\u00e7\u00f5es que permitem ganhos de efici\u00eancia e de desempenho global dos sistemas de diagn\u00f3stico assistido por computador e mesmo em sistemas autom\u00e1ticos de rastreio baseados na dete\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de les\u00f5es. \u00c8 o que se observa por exemplo, no rastreio da retinopatia diab\u00e9tica, em que a decis\u00e3o computacional \u00e9 baseada na an\u00e1lise de imagens da retina. \u00c9 uma \u00e1rea em que a investiga\u00e7\u00e3o tem uma taxa de crescimento exponencial, sendo dif\u00edcil prever a evolu\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos tempos.<\/p>\n<p><strong>NEB. De que forma \u00e9 que o Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Engenharia Biom\u00e9dica se interliga com o curso de Bioengenharia? Como \u00e9 que os alunos se podem envolver mais ativamente no C-BER?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AC.<\/strong> No C-BER h\u00e1 v\u00e1rios professores do Mestrado em Bioengenharia e conta com a colabora\u00e7\u00e3o de investigadores que foram antigos estudantes do MIB, entre muitos outros cursos. O envolvimento de qualquer estudante no C-BER \u00e9 sempre bem vindo. Dentro das nossas possibilidades procuramos integr\u00e1-los. Os interessados devem contactar os professores do C-BER e estar atentos aos an\u00fancios de bolsa que v\u00e3o sendo publicitados.<\/p>\n<p><strong>NEB. Para si, o que \u00e9 a Bioengenharia? Como \u00e9 um estudante de Bioengenharia, qual o seu perfil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AC.<\/strong> A Bioengenharia pode ser considerada como a \u00e1rea disciplinar que aplica metodologias e tecnologias da engenharia em Biologia e Medicina. Quanto ao perfil de um estudante de Bioengenharia, em particular da Engenharia Biom\u00e9dica que conhe\u00e7o melhor, diria que \u00e9 caraterizado por um conhecimento vasto em m\u00faltiplas \u00e1reas das Ci\u00eancias B\u00e1sicas como a Matem\u00e1tica, F\u00edsica e Biologia at\u00e9 ao Processamento de Sinal e de Imagem, \u00e0 Biomec\u00e2nica, \u00e0 Instrumenta\u00e7\u00e3o Biom\u00e9dica, aos Biomateriais, \u00e0 Engenharia dos Tecidos, entre muitos outros. \u00c9 conhecimento muito alargado, que em algumas \u00e1reas pode n\u00e3o ser muito profundo, como ser\u00e1 de esperar porque a exposi\u00e7\u00e3o a temas muito diferentes \u00e9 muito vasta. Mas esta diversidade de conhecimentos tem-se revelado de muita utilidade. Porque permite um leque de conhecimentos muito alargado e cria a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o a novas \u00e1reas em tempo muito curto. Tenho constatado que os alunos de bioengenharia t\u00eam essa vis\u00e3o geral, o que \u00e9 excelente, e uma capacidade de adapta\u00e7\u00e3o para enfrentar novos problemas.<\/p>\n<p><strong>NEB: Qual foi a sua experi\u00eancia como um dos fundadores do curso de Bioengenharia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AC.<\/strong> \u00c9 uma experi\u00eancia com m\u00faltiplas etapas e com antecedentes mais ou menos pr\u00f3ximos. Nos anos 80, v\u00e1rios professores da FEUP, de diversos de departamentos, estavam envolvidos em v\u00e1rias aplica\u00e7\u00f5es da engenharia biom\u00e9dica. Por iniciativa da Reitoria da Universidade do Porto e de alguns Professores da FEUP, com interven\u00e7\u00e3o na Engenharia Biom\u00e9dica, foi criado o Instituto de Engenharia Biom\u00e9dica (o INEB), no ano 1989. O embri\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o de cursos de Mestrado e Doutoramento come\u00e7ou a germinar. Mais tarde, com a colabora\u00e7\u00e3o do ICBAS e da FEUP, foi criado o Mestrado Integrado em Bioengenharia, o MIB, que teve o desenvolvimento e a atratividade que todos conhecem. A minha interven\u00e7\u00e3o no MIB tem sido fundamentalmente em Engenharia Biom\u00e9dica, na estrutura\u00e7\u00e3o do ramo e no ensino, em particular, em disciplinas de An\u00e1lise de Imagem e na orienta\u00e7\u00e3o de teses de Mestrado.<\/p>\n<p><strong>NEB. Na sua opini\u00e3o, quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos (ou atuais) challenges na Imagiologia? E na Eng. Biom\u00e9dica? E na Bioengenharia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AC:<\/strong> Em Imagiologia, como referi anteriormente, estamos a observar um desenvolvimento muito importante nos sistemas de diagn\u00f3stico assistido por computador usando imagens provenientes de v\u00e1rias modalidades de aquisi\u00e7\u00e3o, como de tomografia axial, de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica de PET, entre outras. H\u00e1 \u00e1reas que se encontram em r\u00e1pido desenvolvimento, com contribui\u00e7\u00f5es importantes dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos em imagiologia em que os engenheiros biom\u00e9dicos ou bioengenheiros, ou de outras \u00e1reas afins, t\u00eam interven\u00e7\u00e3o alargada.<br \/>\nDava alguns exemplos: imagiologia molecular; histopatologia digital; imagiologia cerebral, incluindo a interface c\u00e9rebro-computador; cirurgia rob\u00f3tica; dete\u00e7\u00e3o\/ diagn\u00f3stico assistido por computador; aprendizagem computacional e \u201cdeep learning\u201d em imagiologia; medicina de precis\u00e3o ou medicina personalizada, entre muitos outros.<br \/>\nAntes de terminar, queria agradecer a todos os colegas, professores e investigadores, bem como aos estudantes de doutoramento e de mestrado com quem tive oportunidade de colaborar ao longo dos anos. N\u00e3o s\u00e3o explicitamente nomeados ao longo da entrevista, mas fazem parte dos que me acompanham \u201cna primeira pessoa do plural\u201d. A todos um Obrigado!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Prof. Aur\u00e9lio Campilho: O meu nome \u00e9 Aur\u00e9lio Campilho, sou Professor Catedr\u00e1tico na FEUP \u2013 Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, no Departamento de Engenharia Eletrot\u00e9cnica e de Computadores, e colaboro na coordena\u00e7\u00e3o do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o em Engenharia Biom\u00e9dica (C-BER &#8211; Centre for Biomedical Engineering Research &#8211; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":413,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-412","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=412"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/412\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":416,"href":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/412\/revisions\/416"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/413"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}