{"id":534,"date":"2018-04-28T17:22:38","date_gmt":"2018-04-28T17:22:38","guid":{"rendered":"http:\/\/nebfeupicbas.pt\/?p=534"},"modified":"2018-04-28T19:21:34","modified_gmt":"2018-04-28T19:21:34","slug":"bio-15-alumni-spotlight-ines-vigario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/?p=534","title":{"rendered":"+ BIO #15 \u2013 Alumni Spotlight: In\u00eas Vig\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><b>Fala-nos um pouco do teu percurso acad\u00e9mico, desde que entraste em Bioengenharia at\u00e9 que terminaste. Por exemplo, os projetos que mais gostaste de fazer e o que te levou \u00e0 escolha de Eng. Biom\u00e9dica em detrimento dos outros ramos.<\/b><\/p>\n<p>A escolha de Biom\u00e9dica j\u00e1 era o meu objetivo desde que entrei no curso, nunca tive grande d\u00favida acerca de qual dos ramos gostava mais. Sabia que em termos de intera\u00e7\u00e3o com tudo o que era informa\u00e7\u00e3o, equipamentos e tecnologia m\u00e9dica, Biom\u00e9dica seria o mais indicado, por ter uma componente tecnol\u00f3gica mais forte. Sempre me identifiquei mais com isso, e desde o in\u00edcio que era essa a minha ideia do que era Bioengenharia em geral.<\/p>\n<p>A minha decis\u00e3o de ramo n\u00e3o se baseou em nenhum projeto espec\u00edfico. N\u00e3o tenho grande compara\u00e7\u00e3o com o que se fez nos outros ramos, mas a partir do 3\u00ba ano come\u00e7\u00e1mos a ter uma componente muito forte de projetos: as pessoas trabalham em conjunto, com um determinado objetivo, e t\u00eam de se desenrascar e apresentar um produto final. Por exemplo, gostei muito da cadeira de Computa\u00e7\u00e3o M\u00f3vel em Engenharia Biom\u00e9dica apesar de n\u00e3o termos bases e n\u00e3o haver um percurso no curso que levasse a essa cadeira em espec\u00edfico. Nesta cadeira, tivemos de desenvolver uma aplica\u00e7\u00e3o no contexto m\u00e9dico, no meu caso, uma aplica\u00e7\u00e3o que media a tens\u00e3o arterial, e construir todo o modelo \u00e0 volta da aplica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tinhamos de fazer s\u00f3 a aplica\u00e7\u00e3o, mas como toda a defini\u00e7\u00e3o de requisitos: falar com m\u00e9dicos e doentes, perceber o enquadramento daquilo que t\u00ednhamos de montar, e tecnologicamente montar algo aprendendo uma determinada linguagem de programa\u00e7\u00e3o do zero e, no final, apresentar o projeto como um produto nosso juntamente com um v\u00eddeo promocional.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 capaz de ser um bocado mais transversal a todos os ramos e cursos, mas o que gostava mais da Biom\u00e9dica era a maior intera\u00e7\u00e3o com o contexto m\u00e9dico. Muitas vezes a introdu\u00e7\u00e3o te\u00f3rica daquilo que t\u00ednhamos de elaborar era muito mais interessante do que a teoria dos outros dois ramos. Outro fator que motivou a minha escolha foram as sa\u00eddas profissionais, pois achava que a Biom\u00e9dica podia abrir-me mais portas.<\/p>\n<p><b>Antes de entrares para o mercado de trabalho ponderaste alguma vez continuar os teus estudos fazendo, por exemplo, uma p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, ainda \u00e9, obviamente, algo que pondero. J\u00e1 estive para entrar numa p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o que h\u00e1 em Lisboa, e neste momento estou em pondera\u00e7\u00e3o mas sou capaz de ingressar no pr\u00f3ximo ano. O curso de Bioengenharia \u00e9 muito ligado \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o, \u00e0 aprendizagem constante e \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, logo, \u00e9 da nossa vontade estar constantemente a aprender. Claro que, num contexto profissional, n\u00e3o est\u00e1s fechado a novas aprendizagens mas, \u00e9 um bocado a forma como tu te exp\u00f5es a isso: se estiveres sentado no teu canto e n\u00e3o quiseres aprender nada, as coisas n\u00e3o aparecem. Apesar de estar indecisa nas \u00e1reas que quero seguir, sei que fazer uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o abre-te um leque de oportunidades e oferece-te uma maneira de pensar um bocadinho diferente, da\u00ed ser algo que ainda queria fazer. Daqui a alguns aninhos penso tamb\u00e9m em fazer um MBA\u2026est\u00e1 sem d\u00favida na <i>pipeline<\/i> dos meus objetivos.<\/p>\n<p><b>Quando entraste para o mercado de trabalho, sentiste que forma\u00e7\u00e3o dada pelo curso foi suficiente, ou preferias ter ficado um ano a fazer investiga\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Tendo em conta que durante o curso fiz projetos de investiga\u00e7\u00e3o e est\u00e1gios, desde que sa\u00ed do curso assumi que investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o era um tipo de trabalho com que me identificasse muito, apesar de gostar muito de \u00e1reas de inova\u00e7\u00e3o. Parti logo para o mundo empresarial e acho uma ilus\u00e3o acharmos que no curso vamos ter bases espec\u00edficas para aquilo que o mercado empresarial est\u00e1 \u00e0 procura: os problemas s\u00e3o espec\u00edficos de cada empresa e cada caso \u00e9 um caso. Neste momento, estou numa empresa com muita gente das \u00e1reas de gest\u00e3o e economia e, sinto que, por ter um curso de engenharia como o nosso em que somos expostos a cadeiras que n\u00e3o t\u00eam enquadramento, aprendemos a desenrascarmo-nos, adquirindo a capacidade de ir \u00e0 procura do perceber como se faz e, tentar fazer uma coisa que ningu\u00e9m est\u00e1 a conseguir resolver. No percurso que eu fiz n\u00e3o houve coisas espec\u00edficas que eu tenha aprendido que diga \u201csim senhora, isto aplica-se que nem uma luva a este problema\u201d, acho que o que levei foi mais uma forma de trabalhar e a uma postura perante os problemas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-537 aligncenter\" src=\"http:\/\/nebfeupicbas.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/850_400_jose-de-mello-saude-vagas.jpg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/nebfeupicbas.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/850_400_jose-de-mello-saude-vagas.jpg 850w, https:\/\/nebfeupicbas.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/850_400_jose-de-mello-saude-vagas-300x141.jpg 300w, https:\/\/nebfeupicbas.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/850_400_jose-de-mello-saude-vagas-768x361.jpg 768w, https:\/\/nebfeupicbas.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/850_400_jose-de-mello-saude-vagas-700x329.jpg 700w, https:\/\/nebfeupicbas.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/850_400_jose-de-mello-saude-vagas-750x353.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/b><\/p>\n<p><b>Em termos de capacidades que adquiriste, sentiste alguma falta de prepara\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a outros engenheiros? <\/b><\/p>\n<p>\u00c9 assim, sem d\u00favida sinto que, em termos de bases de programa\u00e7\u00e3o, cursos como Engenharia Inform\u00e1tica\/Eletr\u00f3nica podem ter mais conhecimentos de bases. Por\u00e9m, em termos de ferramentas para aprender a fazer, n\u00e3o diria que estejamos em desvantagem de todo. Em contexto profissional n\u00e3o est\u00e1s em desvantagem, mas em termos de aberturas de porta esses cursos podem ter, primeiramente, uma porta aberta mais facilmente, e como o nosso curso \u00e9 um bocadinho menos conhecido, \u00e0s vezes n\u00e3o sabem o tipo de skills que temos. No entanto, acho que isso est\u00e1 a mudar um pouco: as pessoas do nosso curso t\u00eam um perfil mais interessante para perspetivas funcionais. Eu pessoalmente gosto de \u00e1reas tecnol\u00f3gicas, mas nunca quis ser programadora. Obviamente, gosto de lidar com pessoas que trabalham nessa \u00e1rea e tento perceber, a partir deles, como resolver processualmente os problemas que me s\u00e3o dados. Tudo depende da forma como cada pessoa se pode expor ao mercado: se virem em ti essas capacidades, n\u00e3o \u00e9 por seres do curso de Biom\u00e9dica que n\u00e3o te v\u00e3o contratar. Essa \u00e9 a minha opini\u00e3o e tem sido, at\u00e9 agora, a minha experi\u00eancia, mas nunca me candidatei a cargos de programador, apesar de nunca ser uma porta fechada.<\/p>\n<p><b>Quando entraste no mercado de trabalho, foi f\u00e1cil explicar as tuas compet\u00eancias?<\/b><\/p>\n<p>Na minha primeira empresa, j\u00e1 havia uma s\u00e9rie de pessoas de Lisboa (do curso de Engenharia Biom\u00e9dica, IST). As pessoas estavam em \u00e1reas de desenvolvimento funcional, que era aquilo que eu estava a explicar. Penso que tive uma entrevista pr\u00f3pria para rec\u00e9m-licenciados, ou seja, n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 espera que saibas muita coisa, e acabam por avaliar muito mais soft skills que hard skills. No caso das experi\u00eancias que tive, num s\u00edtio j\u00e1 conheciam o curso de Biom\u00e9dica, e agora onde estou, o processo era especificamente n\u00e3o s\u00f3 para Eng. Biom\u00e9dicos mas sim para gest\u00e3o industrial e economia.<\/p>\n<p><b>Como surgiu a oportunidade de trabalhares na Jos\u00e9 de Mello Sa\u00fade?<\/b><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o conhecia tanto a empresa como \u201cJos\u00e9 de Mello Sa\u00fade\u201d, mas conhecia os hospitais CUF, como maior parte da gente conhece. \u00c9 uma empresa mais conhecida c\u00e1 em Lisboa do que no Porto. Entrei para um programa de trainees, mas nunca tinha ouvido falar quando estava no Porto, pois at\u00e9 me podia ter candidatado logo quando sa\u00ed da faculdade. A empresa onde eu estava tinha a Jos\u00e9 de Mello como cliente, comecei a aperceber-me melhor do que \u00e9 que se fazia na empresa, e resolvi-me candidatar-me. N\u00e3o fui contactada para ingressar no programa, pois \u00e9 um programa que tem sempre muitas candidaturas, ou seja, a minha entrada foi volunt\u00e1ria. Atualmente, tenho falado com algumas pessoas do nosso curso sobre a Jos\u00e9 de Mello, pois \u00e9 uma empresa que ainda n\u00e3o tem muita visibilidade dentro do nosso curso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Explica-nos um pouco do teu dia-a-dia\u2026<\/b><\/p>\n<p>J\u00e1 fiz aqui coisas muito diferentes: estou agora na minha quarta \u00e1rea desde que c\u00e1 cheguei (h\u00e1 pouco mais de dois anos). O meu dia a dia tem vindo a mudar um bocadinho: isto n\u00e3o \u00e9 uma empresa de tecnologia m\u00e9dica, mas sim uma empresa que presta cuidados de sa\u00fade. Tens muita coisa \u00e0 volta que \u00e9 necess\u00e1rio fazer nos servi\u00e7os que gerem esta infraestrutura grande. Neste momento, mudei em Agosto para um projeto com base no desenvolvimento de um modelo de machine learning, para fazer estimativas do custo de cirurgias. Com base na informa\u00e7\u00e3o que n\u00f3s temos dos nossos sistemas de informa\u00e7\u00e3o, podemos montar uma algoritmo que vai aprender com o hist\u00f3rico das cirurgias, e como podemos saber quanto vai custar a cirurgia, sabendo as condi\u00e7\u00f5es do cliente. Estive inicialmente a fazer o desenvolvimento deste modelo com um parceiro externo, e em conjunto com a nossa dire\u00e7\u00e3o deste sistema de informa\u00e7\u00e3o, estive a definir os requisitos funcionais. Agora estou na parte mais desafiante para mim, que \u00e9 ter as pessoas, uma equipa administrativa, que produz essas estimativas a aprender a usar a aplica\u00e7\u00e3o que foi montada e a perceber quais os ganhos de efici\u00eancia que temos. Esta parte de gerir uma equipa especificamente, as suas dificuldades e problemas com outras \u00e1reas da empresa, est\u00e1 a ser talvez a parte mais desafiante para mim.<\/p>\n<p>J\u00e1 estive noutras \u00e1reas em que o meu dia-a-dia era um pouco diferente, sempre um trabalho mais ao menos de escrit\u00f3rio, mas os meus primeiros projetos foram em hospitais, e a\u00ed tinha mais de intera\u00e7\u00e3o com os servi\u00e7os. A vida nas unidades em compara\u00e7\u00e3o com servi\u00e7os partilhados (apoio \u00e0 atividade das unidades) \u00e9 um bocado diferente. O objetivo \u00e9 sempre ser mais eficiente e fazer mais e melhor.<\/p>\n<p><b>A Jos\u00e9 de Mello apresenta algumas oportunidades de est\u00e1gio para pessoas de Bioengenharia?<\/b><\/p>\n<p>Que eu saiba, h\u00e1 aqui uma proximidade maior com as pessoas do T\u00e9cnico, que fazem est\u00e1gios em determinadas \u00e1reas. Existem tamb\u00e9m, programas como o de Trainees, para uma fase de entrada no mercado profissional. A empresa interessa-se em ter uma rela\u00e7\u00e3o coma academia, desde que haja \u00e1reas que estejam dispostas a aceitar as pessoas e que precisem de apoio para uma determinada fun\u00e7\u00e3o. Sei que, estes est\u00e1gios, j\u00e1 aconteceram noutras \u00e1reas, com o T\u00e9cnico.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas do Porto, os est\u00e1gios teriam de estar ligados \u00e0s unidades do Porto, ou ao Hospital de Braga (parceria p\u00fablico-privada).<\/p>\n<p><b>Durante a tua forma\u00e7\u00e3o imaginavas-te a fazer o que fazes atualmente?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o, de todo. N\u00e3o tinha muitas expectativas sobre quais iriam ser as oportunidades. \u00c9 verdade que, o que estou a fazer agora, mudou muito a expectativa daquilo que eu pensava fazer quando estava na faculdade. Para trabalhar e para fazer a diferen\u00e7a em Portugal, especificamente, temos de adaptar-nos um pouco. Aquilo que \u00e9, no caso espec\u00edfico da Biom\u00e9dica, investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de dispositivos m\u00e9dicos, aplica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, etc n\u00e3o existe, propriamente, em Portugal, mas se o nosso objetivo for ter trabalhos desafiantes onde podemos acrescentar valor e fazer a diferen\u00e7a, as oportunidades existem. Para o trabalho que fa\u00e7o atualmente, provavelmente, n\u00e3o precisaria de ter o curso de Biom\u00e9dica, mas acho que fiz a escolha certa porque me deu skills e bases para ser uma pessoa motivada, interessada e relevante no contexto em que estou. O que n\u00f3s pens\u00e1vamos fazer durante o curso n\u00e3o existe propriamente nas empresas que operam em Portugal (talvez s\u00f3 em algumas startups que agora come\u00e7am a surgir), nada encaixa perfeitamente no que idealiz\u00e1mos, s\u00f3 se abrires a tua pr\u00f3pria empresa, o que \u00e9 algo que tamb\u00e9m n\u00e3o digo que nunca o possa vir a fazer!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fala-nos um pouco do teu percurso acad\u00e9mico, desde que entraste em Bioengenharia at\u00e9 que terminaste. Por exemplo, os projetos que mais gostaste de fazer e o que te levou \u00e0 escolha de Eng. Biom\u00e9dica em detrimento dos outros ramos. 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